Doi-me muito. Não sei o que sou. Não sei para onde vou. Não sei onde quero ir. Não sei nada. Não sei tudo. É um vazio completo. Ninguém quer saber. Todos têm um novo entretenimento. E o estomago contorce-se. Vomito. Digo-te que estou mal. E continuas em euforia. Já nada te pára. Não me descubro, foda-se. Não me encontro. Mas o que é que eu sou?! AAAAAAAAAAAH.
O mundo é injusto para as pessoas como nós, para quem dá tudo sem ser glorificado depois e para quem finge não se incomodar nem magoar. Tento, incentivar-te a gritar, a contares-me todos os teus objectivos e devaneios por nunca me fartar da tua personalidade, a mentalizares-te que gente como tu, como eu, não se vê por aí. Somos como duas peças contemporâneas perdidas num museu sobre o século IV, não deixamos de ser peças, mas não pertencemos ali; pensamos e agimos de uma maneira diferente, de uma maneira mais pura.
Não são poucos, os que não tenham despertado alguma vez antes do amanhecer, bem depois de uma dessas noites de insónias que quase nos fazem gostar da morte, em que através das câmaras do cérebro deslizam fantasmas mais terríveis que a realidade em si, e o instinto com essa vida intensa que se esconde em todo o grotesco e que presta à arte gótica a sua paciente vitalidade - por que esta arte é, podemos imaginar, a arte daqueles que cujas mentes foram perturbadas com a doença da ilusão -. Gradualmente, uns dedos brancos trepam pelas cortinas e parecem tremer. Com fantásticas formas negras, as sombras mudas arrastam-se pelos cantos do quarto e ali se recolheram.
Lá fora, está o gorjeio dos pássaros entre as folhas, ou o ruído dos trabalhadores que vão para o trabalho, ou os suspiros e soluços do vento que vem das colinas e vagueia em redor da casa silenciosa como se temesse despertar os que dormem. Uma cortina arrasta outra cortina escura. Levantam-se e as coisas recuperam gradualmente as suas formas e cores e observamos a aurora, devolvendo ao mundo a sua antiga forma. Os pálidos espelhos voltam a ter a sua vida mímica. As velas apagadas estão onde as deixámos, e, junto a elas, o livro a meio que estávamos a estudar, ou a flor que levámos ao baile, ou a carta que tivemos medo de ler, ou que temos lido com demasiada frequência. Nada mudou. Fora as sombras irreais que a noite levou, voltou a vida real que conhecíamos. Temos que continuá-la, onde a interrompemos, e apodera-se de nós um terrível sentimento da necessidade de continuar, da energia, no mesmo círculo de costumes estereotipados, ou, poderia ser, um selvagem desejo de que as nossas pálpebras se abram um dia de manhã sobre o mundo que se tinha transformado na escuridão do nosso prazer. Um mundo em que as coisas tivessem formas e cores frescas, que tivesse mudado, ou que tivesse outros segredos. Um mundo em que o passado tivesse muito pouco ou nenhum lugar, ou que sobrevivesse, em todo o caso, numa forma de inconsciente obrigação ou de pesar, já que até a memória da alegria tem a sua amargura, e a memória do prazer tem a sua dor.
Oscar Wilde
Woodhands is dirty electronic music. We are interested in emotional, sweaty dance floors. We want to make you cry while you're having sex, and it'll be the best damn sex of your life. And you'll be dancing.
Don't be afraid to admit that you are less than perfect.
Nothing is really over until the moment you stop trying.
There is only one hapiness in life,
To love and be loved.
12:47. A minha mãe acorda-me com um ramo de quatro gira-sóis. Apesar da noite de ontem, só isto me faz ter consciencia de que dia é hoje. 16 de Agosto de 2009. É o dia do meu aniversário. Em todos os dias 16 dos meses Agosto acordo com um ramo de gira-sóis. Os deste ano eram grandes e amarelos, com as folhas muito verdes. Ainda com os olhos entre-abertos, pego-lhes e o seu cheiro acorda-me. Têm um cheiro muito suave. Algo entre o doce e o amargo. Agrada-me. Este é o meu primeiro aniversário sem o meu irmão, só o vejo ao jantar. Vou almoçar comida italiana com a minha mãe. A noite anterior pesa-me os olhos. Foi bonita. Calma e interessante. Tive surpresas. Muitas. O telemóvel enche-se de mensagens e de telefonemas. Gosto e detesto. Faz-me sentir bem, significa que as pessoas se lembram de mim. Mas, ao mesmo tempo, é desconfortável falar com pessoas que não quero e as que quero não me falarem. Durante a tarde, vejo um filme e abro os presentes que a minha mãe tem para mim. Entre DVD's e T-shirts, todos me agradam. Os presentes só servem para demonstrar o quanto as pessoas se conhecem. E a minha mãe conhece-me especialmente bem. O filme é interessante. Sobre o tempo. E sobre um estudante de Belas-Artes. Dá-me vontade de desenhar. Amanha vou afiar os lápis de carvão e voltar a desenhar. A hora de jantar é passada com o meu pai e o meu irmão. Janto um bom salmão grelhado em casa do meu pai, abro presentes e vejo televisão. 2:25. Estou em casa, a escrever. Sei que vai ser um bom ano. Fiz 16 anos no dia 16. Os gira-sóis eram grandes e saudáveis. E gostei de todos os presentes que recebi. Vai ser um ano louco. Vou fazer dele o melhor e o mais diferente. Com mergulhos Nocturnos. Discussões Bestiais. Paixões Profundas. Beijos Ardentes. Contraceptivos. Espectaculares Concertos. Amizades Eternas. Festivais Memoráveis. Acampamentos Únicos. Pessoas Novas. Pessoas Diferentes. Beijos Homossexuais. Beijos de Grupo. Sexo Em Grupo. Mergulhos Nua. Luares Perfeitos. Céus Estrelados. Paisagens Fantásticas. Amor. Eterno. Vai ser um Ano Louco. 16.
Eu e Tu.
Tenho pensado. Tenho estado em casa e pensado. Não sei escrever.
O que é que te faz chorar?
O meu pai. O meu corpo. A música. As pessoas. Não, as acções das pessoas. Acho que nunca chorei de felicidade. Nunca. Dizem que sou insensivel mas não é verdade. Parece que ninguém me conhece. Sou extremamente sensível até. Posso é não ser sensível para as coisas estúpidas porque todos choram. Não choro pelo final de uma novela. Não choro pelo "Adeus à Santa". Não choro num filme idiota. Não choro por esses dramas de adolescentes parvos. Isso nao me afecta. Choro pelo estado do mundo. Choro pela sociedade nojenta que me rodeia, de onde derivam as pessoas. Choro pela dor. Choro quando me magoam. Choro quando dói. Quando dói profundamente no mais intímo do meu ser. Dói quando me invadem e aí surge a revolta. Choro pela injustiça. Choro pelos olhos ignorantes que me rodeiam. Choro por nao ter objectivos concretos. E por me sentir completamente sozinha. Nascemos sozinhos. Vivemos sozinhos. Morremos sozinhos. E nunca nos habituamos à solidão.
Do que é que tens medo?
Tenho medo que os outros morram. Tenho medo que os fantasmas que me atormentam agora, me atormentem para o resto da vida. Tenho medo de não conseguir fazer a mudança que preciso. Tenho medo que as pessoas que amo morram. Tenho muito medo. Tenho medo que as pessoas que amo morram sem eu as informar de tudo o que precisam de saber sobre mim. Tenho medo que ela me desiluda. E sei que vai desiludir. De certeza que vai. Mas tenho medo que cometa esse erro. Tenho medo que a mudem. Que ela se mude. E tenho a certeza que isso vai acontecer. Tenho medo de nunca viver um grande amor como os dos filmes lamechas de segunda. Tenho medo que o meu corpo me impeça de realizar tudo aquilo que quero.
Quem és?
...
. Foda-se
. Voltou A Vida Real Que Co...